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16 de agosto de 2010

Sem fantasia

Resolvi depois de velho entrar no mundo dos blogs, e faço isso sem a menor pretensão de ser um sucesso – coitado de mim. Fato é que dada a desocupação, (pois me formei recentemente, e ainda não arranjei um emprego), resolvi, por ora, sair do anonimato. O título de menino vadio, pouco tem a ver com a vadiagem que toma conta da minha vida, foi apenas extraído de uma canção de Chico Buarque que canta: “Vem, meu menino vadio, vem sem mentir pra você. Vem, mas vem sem fantasia, que da noite pro dia, você não vai crescer” (“Sem fantasia”, 1968). E como a canção, certamente, não cresci de ontem pra hoje.

Quando eu tinha 12 anos, e era muito bonito – bem mais do que sou hoje –, eu escrevia em um diário as escondidas, pois naquela época, essa cultura era coisa de menina. Como me dei aos amores muito tarde, a literatura e consequentemente a escrita fizeram parte da minha adolescência mais do que o aceitável para um garoto normal. Isso quer dizer, que enquanto meus amigos se deliciavam em cabarés, eu, inocentemente, lia “Madame Bovary”. Coisa de viado, digamos assim. Pelo menos, posso alegar que fui um adolescente cult, embora não visualize muita vantagem nisso.

O tempo passou, e só mais tarde fui perceber que sou um rapaz tímido, e isso muito se deve a falta de experiência nos cabarés. Até hoje nunca pisei em um, e pretendo manter a postura. O que pode ser identificado como vaidade, ou um quê de metido, mais tem a ver com insegurança, ou mesmo preservação. Não é fácil envelhecer quando não se parece em nada com os coleguinhas de classe. Por isso, desde muito menino, aprendi a fazer uso da escrita. Só através dela pude ser o Guilherme Freire que, de fato, existia. Embora não haja mais necessidade disso, há coisas que são pra sempre.

Pra um primeiro post a sessão de análise está de bom tamanho.

Um beijo,
Guilherme